Mais do que uma bebida, o café nos apresenta histórias, conecta as mais diversas culturas e age como uma espécie de força motriz, dando início a conversas, romances, reconciliações e acasos.
Mas há algo ainda mais fascinante, a maneira como a geografia influencia o cultivo de café. E, quando falamos de altitude, estamos falando de um dos fatores que mais determinam sua qualidade.
Quer saber mais sobre o assunto? Pegue sua bebida quente, continue conosco até o final e aproveite a leitura!
Como a altitude impacta o cultivo de café?
Em locais mais altos, geralmente, o ar é rarefeito, o tempo parece desacelerar e, para quem se dedica ao cultivo de café, isso significa um desenvolvimento mais paciente.
Cafés cultivados acima de 1.200 metros de altitude enfrentam temperaturas mais amenas, entre 18 °C e 21 °C, o que faz com que amadureçam lentamente.
Esse ritmo favorece uma maior concentração de açúcares e compostos aromáticos, resultando em cafés com acidez equilibrada, doçura mais evidente e uma complexidade de sabores que lembra frutas, flores e especiarias. Por isso, tendem a ser mais valorizados.
Já em altitudes mais baixas, as temperaturas costumam ser bem altas e o ciclo de maturação mais rápido, o que pode levar a grãos com menor densidade e menor complexidade sensorial.
Qual é a altitude perfeita para o cultivo de café?
A verdade é que a altitude perfeita para o cultivo de café pode variar conforme a região e o tipo de grão. Normalmente, cafés cultivados até 800 metros são suaves, possuem um nível menor de acidez e contam com notas mais achocolatadas.
Sabe os que são cultivados entre 800 e 1.200 metros? Eles apresentam um enorme equilíbrio entre acidez e doçura. Também vale dizer que essa é uma faixa comum para muitos cafés brasileiros da Mantiqueira de Minas e do Sul de Minas, além de plantações na Colômbia e no Vietnã.
Entre 1.200 e 1.800 metros, o clima frio retarda a maturação dos frutos, criando um café mais complexo, com notas frutadas e uma acidez que abraça o paladar. Grandes regiões produtoras como a Etiópia, Colômbia e Guatemala chamam a atenção nessa altitude.
Conhecidos como high grown e encontrados em regiões como a Etiópia e o Quênia, os grãos cultivados acima de 1.800 metros têm a maturação ainda mais lenta e sabores altamente complexos. Muitas vezes apresentam notas florais, cítricas e um corpo mais leve.
Quais são as regiões destaques na produção de cafés especiais no Brasil?
A Mantiqueira de Minas e a Chapada Diamantina são duas regiões brasileiras que se destacam na altitude, no cultivo de café e sabem contar boas histórias através dessa bebida tão querida.
Nosso terroir, quando bem explorado, entrega grãos que não perdem em nada para grandes produtores internacionais.
Na Mantiqueira, o cultivo de café desafia a gravidade em encostas íngremes acima dos 1.200 metros e entrega cafés encorpados de acidez equilibrada, que trazem no aroma notas de frutas vermelhas e chocolate.
O cenário muda na Chapada Diamantina, mas a qualidade continua surpreendente. O clima seco e estável, somado à altitude, resulta em cafés de doçura marcante e acidez cítrica bem delineada.
Não podemos deixar de pensar em como, mesmo sem altitudes extremas, o café especial brasileiro conquistou e continua a conquistar o mundo. Aparentemente, a alma do nosso café vai muito além das alturas.
Onde estão os cafés cultivados nas maiores altitudes do mundo?
Como você viu anteriormente, a Etiópia, berço do café, cultiva grãos a mais de 2.000 metros, entregando xícaras florais, encorpadas, extremamente delicadas e envolventes.
Na Colômbia, as montanhas dos Andes dão origem a um café balanceado, com acidez na medida certa, doçura caramelizada e incrivelmente suave.
Na Guatemala, o café de Antigua conta com grãos com notas profundas de chocolate e frutas secas, resultado da combinação entre altitude e solos vulcânicos. Trata-se de um café que carrega o espírito da terra, intenso e memorável.
O que a altitude ensina sobre o tempo?
A maior lição que o cultivo de café nas maiores altitudes nos dá? A importância da paciência. Vivemos tempos acelerados, mas o melhor café — assim como as experiências mais transformadoras — precisa de tempo.
O sabor mais intenso vem da espera, da adaptação ao ambiente e do respeito ao ritmo natural das coisas.
Dito isso, da próxima vez que for tomar um café especial, convidamos você a pensar no caminho que aquele grão percorreu, nos morros e nas montanhas que ele viu, nos profissionais envolvidos na produção e no tempo que levou para chegar até sua mesa.
Sente que aprendeu mais sobre o impacto da altitude no cultivo de café, como o ritmo desacelerado pode influenciar a qualidade e o nível de importância de praticar o exercício da paciência? Aproveite o conhecimento adquirido, que continua bem fresco, e experimente os cafés especiais da Terra Cruz!